
Uma avalanche de grandes proporções na fronteira entre o Nepal e o Tibete desencadeou a pior tragédia na cordilheira do Himalaia em mais de dez anos, deixando mortos, centenas de desaparecidos e um rastro de destruição em vilas turísticas. A catástrofe começou quando a ponta inferior de uma geleira, situada a cerca de 5.200 metros de altitude, desabou por mais de 1.200 metros até o fundo do vale, arrastando um volume massivo de sedimentos, gelo e rochas.
Segundo especialistas em geodinâmica e geologia, o desastre foi potencializado por condições climáticas prévias e pela própria dinâmica hidrológica da região. Dias consecutivos de chuvas intensas trazidas pelas monções, somados ao rápido derretimento de neve provocado pelo aumento atípico da temperatura nas 24 horas anteriores, sobrecarregaram a bacia hidrográfica e a água já represada no interior das geleiras.
Ao despencar no vale, a massa de detritos obstruiu o curso do rio Trishuli, formando uma barragem natural temporária. A pressão do acúmulo contínuo de água fez essa barreira ceder de forma súbita, o que lançou uma enxurrada letal de lama sobre as comunidades ribeirinhas. Sem que os sistemas de monitoramento locais conseguissem emitir alertas a tempo, a cheia repentina arrastou pontes e engoliu construções inteiras, sem dar margem para a evacuação dos moradores.
"É como se você abrisse uma comporta: o que estava embaixo começa a descer. É uma água com um poder destrutivo que torna o desastre mais letal ainda", explica Pedro Camarinha, especialista em desastres naturais e especialista em Geodinâmica e Geologia de Desastres no Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Ceamden).




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