
A Polícia Federal (PF) no Maranhão recebeu, nesta quarta-feira (9), uma solicitação formal para a inserção dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, na Difusão Amarela da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol). O pedido foi protocolado pela mãe das crianças, Clarice Cardoso, acompanhada por sua representação jurídica, em São Luís.
O documento passará por análise técnica da Diretoria de Cooperação Internacional da PF antes do eventual encaminhamento aos canais da Interpol, órgão encarregado de avaliar os dados e emitir o comunicado oficial aos seus países-membros. O alerta amarelo é o instrumento padronizado da polícia internacional destinado a rastrear e localizar pessoas desaparecidas, sobretudo menores de idade ou vítimas com suspeita de deslocamento para além das fronteiras nacionais.
A movimentação ocorre no momento em que o desaparecimento completa oito meses sem localização dos corpos ou vestígios conclusivos sobre o paradeiro dos irmãos. Paralelamente, o governador do Maranhão, Carlos Brandão, declarou que os nomes das crianças já constavam em registros compartilhados com a organização multilateral após tratativas prévias entre a Polícia Civil maranhense e a PF. As autoridades reforçam que denúncias continuam sendo recebidas pelo Disque-Denúncia (181).
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A articulação para obter apoio internacional ganhou contornos práticos durante uma reunião realizada no Núcleo de Cooperação Internacional da PF, na capital maranhense. O suporte passou a ser cogitado após operações no exterior — inclusive ações recentes nos Estados Unidos com resgate de menores — despertarem a necessidade de acionar redes globais de checagem. Contudo, as corporações policiais pontuam que inexiste, até o momento, qualquer indício material de que os irmãos façam parte de grupos encontrados fora do país.
O episódio teve início no dia 4 de janeiro, na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal. Ágatha e Allan desapareceram em uma área de vegetação densa enquanto brincavam com um primo de 8 anos. Três dias depois, o menino mais velho foi resgatado com vida por produtores rurais a quilômetros de distância, deflagrando uma das maiores forças-tarefas de resgate já vistas no estado.
Ainda no decorrer de janeiro, mais de mil agentes de diferentes corporações foram mobilizados, reunindo efetivos do Exército Brasileiro, da Marinha — que utilizou sonares de varredura lateral nas águas do Rio Mearim —, da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros e centenas de voluntários. Cães farejadores chegaram a detectar rastros em uma cabana abandonada, e o primo resgatado colaborou refazendo trajetos. Durante essa fase inicial, as autoridades descartaram pistas falsas sobre a presença das crianças em São Paulo e acionaram o alerta emergencial Amber Alert em plataformas digitais.
Entre fevereiro e abril, com o encerramento das varreduras completas no terreno sem a localização de vestígios conclusivos, as buscas físicas em campo foram gradualmente reduzidas. O inquérito passou a priorizar a linha investigativa e pericial, momento em que a hipótese de rapto ou sequestro ganhou força frente às teses de acidente na mata ou afogamento.
Nos meses seguintes, ao atingir as marcas de quatro e seis meses sem respostas, a Polícia Civil manteve diligências sigilosas, desmentiu boatos virtuais que acusavam familiares e concentrou esforços na verificação de deslocamentos interestaduais. Agora, ao completar oito meses de mistério, o inquérito avança para a esfera internacional, somando bases de dados externas e cooperação além das fronteiras à apuração conduzida em solo maranhense.
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