
O empresário Douglas Fonseca, proprietário da DF Trade, voltou a ser preso nesta terça-feira (22), em Teresina. A prisão em flagrante, motivada por posse irregular de arma de fogo, ocorreu durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão expedidos em uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
A ofensiva mira uma organização criminosa investigada por fraudes financeiras milionárias e lavagem de capitais com ramificações em quatro estados: Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. Na residência do trader, agentes apreenderam computadores, celulares e documentos que passarão por perícia técnica.
Conforme as apurações do Gaeco, o grupo estruturou uma operação sofisticada para convencer investidores a realizarem aportes vultosos. A promessa era de alta rentabilidade e baixo risco em supostas aplicações lastreadas no agronegócio e no setor imobiliário.
Para passar credibilidade, a organização mantinha escritórios em endereços nobres, exibia presença constante em programas de TV e ostentava estilo de vida bem-sucedido nas redes sociais. Contudo, os recursos captados não eram direcionados aos investimentos prometidos.
Para mascarar o desvio, os suspeitos adotavam empresas com nomes muito parecidos aos de instituições financeiras tradicionais e forneciam às vítimas aplicativos que simulavam painéis de investimento. Pelas telas das plataformas forjadas, os clientes acompanhavam falsos lucros e movimentações inexistentes.

Esta é a segunda prisão de Douglas Fonseca em menos de três meses. Em julho, ele já havia sido detido pela Polícia Civil do Piauí (PC-PI) por suspeita de integrar uma rede acusada de estelionato qualificado por fraude eletrônica, associação criminosa e lavagem de capitais. O grupo teria movimentado cerca de R$ 100 milhões em apenas dois anos.
Naquela primeira ação, a Justiça determinou o bloqueio das contas e a suspensão das atividades da DF Group, além de recolher veículos de luxo, joias, relógios importados e armamentos.
A atração dos clientes baseava-se em promessas de lucros de até 10% ao mês — patamar incompatível com a média do mercado financeiro formal. Segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa não possuía autorização legal para atuar no mercado de capitais brasileiro.
Paralelamente à investida do MP-SP, a Delegacia de Combate aos Crimes Contra a Ordem Tributária, Ordem Econômica e Relações de Consumo (Deccoterc) da Polícia Civil do Piauí mantém inquérito aberto para identificar toda a cadeia de lesados no estado.
Em nota oficial divulgada nesta terça-feira (22), a especializada explicou que ainda não é possível estipular um prazo final para a conclusão das investigações, dada a quantidade de vítimas e o expressivo volume de contratos e transações bancárias sob auditoria:
"A medida não representa restrição aos direitos das vítimas nem interrupção da investigação. Trata-se de providência necessária para assegurar tratamento isonômico aos milhares de interessados e, principalmente, permitir que os policiais e autoridades responsáveis concentrem seus recursos humanos e materiais na execução das diligências investigativas e na conclusão do procedimento."
A Deccoterc esclareceu que os clientes lesados que já prestaram depoimento e anexaram comprovantes não precisam retornar à delegacia, a não ser que sejam expressamente convocados para novas oitivas. Quem tiver provas adicionais ou novas documentações a apresentar pode remeter os arquivos diretamente pelos canais institucionais da Polícia Civil.
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