
O nível de qualificação acadêmica dos trabalhadores piauienses registrou uma expansão expressiva ao longo de pouco mais de uma década. Segundo estatísticas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgadas nesta quarta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a parcela da população ocupada com diploma de ensino superior completo no Piauí saltou de 9,2% em 2012 para 21,7% em 2025 — uma alta que mais que dobra o índice inicial.
Apesar desse avanço, o estado ainda convive com um descompasso frente a outras regiões do país: o percentual de 21,7% coloca o Piauí com o 6º menor índice de ocupados graduados entre todas as 27 unidades federativas. No cenário nacional, a média de profissionais formados na faculdade subiu de 14,1% para 24,9% no mesmo período de comparação.
O ranking dos estados revela contrastes regionais expressivos no mercado de trabalho em 2025:
Maiores percentuais do país: Distrito Federal (45,9%), São Paulo (30,0%) e Rio de Janeiro (29,1%).
Menores percentuais do país: Pará (14,1%), Maranhão (16,4%) e Bahia (18,0%).
O avanço na escolaridade básica entre os ocupados piauienses seguiu a mesma rota ascendente. Em 2012, apenas 35,8% dos trabalhadores do estado haviam concluído ao menos o ensino médio. Em 2025, o indicador chegou a 61%, representando um crescimento de 25,2 pontos percentuais.
No comparativo geral, a taxa média do Brasil alcançou 68,5%. No topo das unidades com maior proporção de ocupados com ensino médio completo destacam-se Distrito Federal (82,4%), São Paulo (76,0%) e Roraima (75,1%). No outro extremo, com os níveis mais baixos, figuram Pará (55,2%), Paraíba (58,4%) e Maranhão (59,6%).
O suplemento da PNAD Contínua analisou ainda a dinâmica do trabalho por conta própria no estado. Em 2025, o contingente total de pessoas ocupadas no mercado de trabalho piauiense era estimado em 1,32 milhão de pessoas. Deste universo:
380 mil atuavam por conta própria (representando 28,7% de todos os ocupados);
46 mil possuíam registro ativo no CNPJ, o equivalente a 12,2% dos trabalhadores autônomos piauienses.
A adesão a um CNPJ — modelo frequentemente viabilizado pelo Microempreendedor Individual (MEI) — triplicou no Piauí em relação a 2012, quando somente 4,6% dos autônomos estavam formalizados. O registro assegura proteção jurídica, direitos previdenciários e acesso a crédito comercial.
Contudo, a fatia de formalizados piauienses continua entre as mais baixas do território nacional, ocupando a 2ª pior posição no Nordeste e o 6º menor percentual do Brasil. No recorte de gênero entre os cerca de 46 mil autônomos formalizados com CNPJ no Piauí, os homens somam 27 mil cadastros (59%), enquanto as mulheres representam 19 mil registros (41%).
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