
O Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) suspendeu, nesta segunda-feira (28), as atividades dos profissionais de enfermagem do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no município de Luís Correia, no litoral piauiense. A interdição ética foi motivada por um quadro crítico de inconformidades estruturais, mecânicas e de biossegurança que colocam em risco tanto os servidores quanto os pacientes.
A medida paralisa a atuação da categoria por tempo indeterminado e só deve ser revogada após a prefeitura local sanar todos os apontamentos listados no relatório de vistoria.
Durante a fiscalização, os fiscais do órgão flagraram condições severas de precariedade no local onde a equipe opera. A base descentralizada está instalada em uma residência adaptada, localizada em uma rua estreita que restringe as manobras e o rápido deslocamento da viatura durante os chamados de socorro.
No âmbito sanitário, a ausência de um local próprio para assepsia chamou a atenção dos agentes: a higienização da ambulância e dos equipamentos médicos vinha sendo feita em uma pia do lado externo do imóvel, com a água servida escorrendo a céu aberto. O documento também aponta deficiências graves no armazenamento de medicamentos e insumos, bem como nas acomodações destinadas ao descanso dos plantonistas.
A única viatura disponível para o atendimento móvel também foi alvo de duras críticas técnicas. O relatório do conselho descreve um veículo visivelmente desgastado e oxidado, que operava há meses sem ar-condicionado — equipamento essencial para a regulação térmica de pacientes graves e preservação de certos fármacos.
Além disso, a análise dos livros de ocorrência revelou que a ambulância enfrentava frequentes paralisações e desativações técnicas por avarias mecânicas sucessivas, comprometendo a prontidão do socorro à população litorânea.
Diante do cenário de degradação, o Coren-PI sustentou que a atuação sob tais condições fere os preceitos éticos e a segurança assistencial mínima exigida por lei. A reportagem buscou posicionamento da Prefeitura de Luís Correia a respeito das providências a serem adotadas, mas não houve retorno até a última atualização desta matéria.
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