
Cientistas da Universidade Federal do Piauí (UFPI) alcançaram resultados animadores no desenvolvimento de uma nova estratégia terapêutica contra o glioblastoma, a forma mais frequente e letal de tumor cerebral. Em experimentos laboratoriais conduzidos com células humanas (in vitro), a aplicação de uma nanoformulação inovadora conseguiu potencializar a ação dos fármacos tradicionais, abrindo caminhos para tratamentos mais eficientes e menos tóxicos no futuro.
Os achados da fase pré-clínica foram divulgados na revista internacional Springer Nature. O projeto, iniciado em 2024 e com previsão de encerramento em 2028, é conduzido em cooperação com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) sob a orientação do professor João Marcelo de Castro e Sousa.
Mecanismo de ação direcionado
A abordagem desenvolvida pelos pesquisadores atua como um sistema de entrega seletiva. O medicamento-base é a temozolomida, quimioterápico padrão que atua danificando o DNA das células malignas para interromper sua multiplicação desordenada. Contudo, em terapias convencionais, a agressividade do tumor e a dispersão do remédio costumam gerar severos efeitos colaterais.
Para contornar esse obstáculo, a equipe encapsulou o princípio ativo em nanopartículas revestidas com quitosana, um biopolímero que melhora a afinidade com o tecido biológico.
De acordo com o doutorando Helber Negreiros, participante direto do estudo, a presença da quitosana na superfície da nanopartícula viabiliza uma adesão específica às estruturas do tecido cerebral afetado. Essa interação possibilita a liberação controlada e direta da temozolomida exclusivamente nas células tumorais, preservando os tecidos saudáveis ao redor, otimizando a resposta clínica e buscando preservar a qualidade de vida do paciente.
Cronograma e etapas seguintes
Por estar ainda em estágio inicial, a tecnologia precisa cumprir um rigoroso protocolo científico antes de ser testada em seres humanos:
Validação in vitro: Conclusão da caracterização físico-química e certificação completa de segurança em cultura celular.
Ensaios in vivo (fase animal): Aplicação em modelos experimentais vivos com glioblastoma para monitorar a absorção do composto (biodisponibilidade), o comportamento antitumoral sistêmico e possíveis índices de toxicidade.
Estudos clínicos: Avaliações futuras com pacientes voluntários, a depender do êxito de todas as fases laboratoriais anteriores.
Conforme detalhado pelo orientador João Marcelo de Castro e Sousa, a meta imediata é consolidar o perfil de segurança nos meios celulares para, em seguida, validar o comportamento das nanopartículas na complexidade fisiológica de organismos vivos.
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