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Nanotecnologia desenvolvida pela UFPI avança no combate ao tipo mais agressivo de câncer no cérebro

Testes preliminares com células humanas demonstram que formulação com quitosana amplia a eficácia do quimioterápico temozolomida contra o glioblastoma; estudo mira testes em animais

25/09/2026 às 10h55
Por: Adaildo Mesquita Fonte: g1.globo.com
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Nanotecnologia desenvolvida pela UFPI avança no combate ao tipo mais agressivo de câncer no cérebro

Cientistas da Universidade Federal do Piauí (UFPI) alcançaram resultados animadores no desenvolvimento de uma nova estratégia terapêutica contra o glioblastoma, a forma mais frequente e letal de tumor cerebral. Em experimentos laboratoriais conduzidos com células humanas (in vitro), a aplicação de uma nanoformulação inovadora conseguiu potencializar a ação dos fármacos tradicionais, abrindo caminhos para tratamentos mais eficientes e menos tóxicos no futuro.

Os achados da fase pré-clínica foram divulgados na revista internacional Springer Nature. O projeto, iniciado em 2024 e com previsão de encerramento em 2028, é conduzido em cooperação com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) sob a orientação do professor João Marcelo de Castro e Sousa.

Mecanismo de ação direcionado

A abordagem desenvolvida pelos pesquisadores atua como um sistema de entrega seletiva. O medicamento-base é a temozolomida, quimioterápico padrão que atua danificando o DNA das células malignas para interromper sua multiplicação desordenada. Contudo, em terapias convencionais, a agressividade do tumor e a dispersão do remédio costumam gerar severos efeitos colaterais.

Para contornar esse obstáculo, a equipe encapsulou o princípio ativo em nanopartículas revestidas com quitosana, um biopolímero que melhora a afinidade com o tecido biológico.

De acordo com o doutorando Helber Negreiros, participante direto do estudo, a presença da quitosana na superfície da nanopartícula viabiliza uma adesão específica às estruturas do tecido cerebral afetado. Essa interação possibilita a liberação controlada e direta da temozolomida exclusivamente nas células tumorais, preservando os tecidos saudáveis ao redor, otimizando a resposta clínica e buscando preservar a qualidade de vida do paciente.

Cronograma e etapas seguintes

Por estar ainda em estágio inicial, a tecnologia precisa cumprir um rigoroso protocolo científico antes de ser testada em seres humanos:

  1. Validação in vitro: Conclusão da caracterização físico-química e certificação completa de segurança em cultura celular.

  2. Ensaios in vivo (fase animal): Aplicação em modelos experimentais vivos com glioblastoma para monitorar a absorção do composto (biodisponibilidade), o comportamento antitumoral sistêmico e possíveis índices de toxicidade.

  3. Estudos clínicos: Avaliações futuras com pacientes voluntários, a depender do êxito de todas as fases laboratoriais anteriores.

Conforme detalhado pelo orientador João Marcelo de Castro e Sousa, a meta imediata é consolidar o perfil de segurança nos meios celulares para, em seguida, validar o comportamento das nanopartículas na complexidade fisiológica de organismos vivos.

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