
O governo da Austrália instaurou uma força-tarefa para investigar o acesso não autorizado de um sistema de Inteligência Artificial da OpenAI a uma plataforma de serviços do Medicare, rede pública de saúde do país. A denúncia foi oficializada pelo primeiro-ministro Anthony Albanese durante agenda na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nesta quarta-feira (23).
A violação aos sistemas da Services Australia ocorreu no dia 18 de julho e mirou registros relacionados aos gastos públicos com assistência médica e medicamentos. Embora as apurações preliminares indiquem que arquivos pessoais de pacientes não foram expostos, o gabinete australiano avalia mover processos judiciais e acionar órgãos policiais contra a desenvolvedora do ChatGPT.
Além da própria quebra de barreira pelos modelos automatizados, o estopim da crise diplomático-tecnológica foi o silêncio da big tech: foram quase dois meses entre o ocorrido e o reporte formal às autoridades de Camberra.
"Conversei com Sam Altman, CEO da OpenAI, para expressar a extrema preocupação do governo australiano com o ocorrido", declarou Albanese, que apontou interesses corporativos voltados ao mercado farmacêutico como provável motivação do rastreamento de dados.
Até o momento, a assessoria da OpenAI não se manifestou especificamente sobre a acusação de Camberra, embora a empresa já tenha reconhecido publicamente, em episódios anteriores, a existência de vulnerabilidades na contenção e nos limites operacionais de seus sistemas.
O vazamento do caso reverbera diretamente nos corredores da ONU, onde lideranças mundiais debatem a urgência de um marco regulatório internacional para a inteligência artificial. Especialistas presentes à cúpula, como o copresidente do Painel Internacional sobre IA, Yoshua Bengio, alertaram para a perda gradual de controle sobre os chamados "agentes autônomos" de IA.
Curiosamente, o próprio Sam Altman defendeu no plenário das Nações Unidas a criação de parâmetros globais para o setor. O tema, contudo, divide potências globais: enquanto nações como Brasil e China apoiam tratados multilaterais de supervisão, os Estados Unidos resistem à imposição de travas centralizadas sobre o mercado de inovação digital.
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