
A Polícia Federal (PF) instaurou inquérito para apurar a denúncia de que múltiplas candidaturas políticas no Piauí estão sendo financiadas pelo crime organizado. As apurações, que correm sob estrito segredo de Justiça, foram confirmadas nesta terça-feira (29) pelo procurador regional eleitoral Kelston Lages após provocação formal do Ministério Público Eleitoral.
Conforme detalhou o procurador, o caso em apuração não se restringe a um fato isolado, mas atinge um grupo de candidatos sob forte suspeita de receber repasses financeiros e manter vínculos diretos com facções criminosas atuantes no estado.
O procedimento integra um volume substancial de queixas encaminhadas às autoridades fiscalizatórias durante a corrida eleitoral de 2026:
Volume de queixas: O Ministério Público Federal (MPF) já registrou cerca de 130 representações ligadas ao pleito no Piauí;
Índice de aprofundamento: Aproximadamente 70% das denúncias recebidas avançaram para investigações formais;
Foco predominante: A maior parte dos procedimentos apura o uso indevido da máquina pública para o custeio de campanhas.
O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), desembargador José Wilson, afirmou que a condução do caso está integralmente sob liderança do MP Eleitoral. A Corte Eleitoral passará a deliberar sobre as eventuais medidas judiciais e cassações assim que os inquéritos da PF forem concluídos e remetidos à Justiça.
Procurada pela reportagem, a Polícia Federal sustentou que não emite declarações acerca de conjecturas ou diligências operacionais em andamento, ressaltando que manifestações de interesse público ocorrem exclusivamente através de canais institucionais.
A investida contra o narcotráfico na política reflete diretrizes traçadas em maio deste ano, quando o TRE-PI instalou a primeira mesa do Comitê de Segurança das Eleições Gerais de 2026, plano conjunto que fixou o combate à infiltração de organizações criminosas no poder público como prioridade institucional.
A linha de apuração no Piauí acompanha um cenário nacional de enfrentamento a vínculos entre facções e mandatos legislativos. No próprio estado, a ex-vereadora de Teresina Tatiana Medeiros (PSB) foi sentenciada em abril a 19 anos, 10 meses e sete dias de reclusão por integrar organização criminosa, corrupção e falsidade ideológica eleitorais, peculato e lavagem de capitais.
O panorama também encontra paralelos recentes em centros como São Paulo — onde apurações miraram o ex-presidente da Câmara Milton Leite (União Brasil) por elos do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte urbano — e no Rio de Janeiro, com o indiciamento do deputado estadual TH Joias (MDB-RJ) por articulações atribuídas ao Comando Vermelho.
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