
Um incêndio de grandes proporções em uma área de vegetação pertencente à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mobilizou forças de resgate e causou momentos de pânico na Zona Norte de Teresina nesta terça-feira (6). O avanço das chamas ultrapassou os limites do terreno federal e atingiu o viveiro de mudas da Prefeitura, na Avenida Duque de Caxias, além de alcançar o entorno da Fundação Deputada Francisca Trindade, situada na Avenida Freitas Neto, no bairro Mocambinho.
O incidente teve início ainda na noite de segunda-feira (5), momento em que os focos haviam sido inicialmente contidos. Contudo, impulsionado pelas altas temperaturas e por fortes rajadas de vento, o fogo reacendeu com maior intensidade durante o dia, propagando-se rapidamente pela vegetação ressecada.
A proximidade da linha de fogo com residências limítrofes gerou apreensão imediata na vizinhança. Tomadas pela fumaça densa e pelo risco de que o fogo atingisse as estruturas dos imóveis, algumas famílias decidiram abandonar temporariamente seus lares.
A agente comunitária de saúde Jucileia de Feitosa relatou a apreensão vivida pela vizinhança diante do perigo:
“Muito medo. É difícil, porque a gente tem criança, idosos. Muitos aqui nessa área. A fumaça está dificultando muito a vida da gente, tanto pelo medo do fogo nas casas como pela saúde.”
Para conter o avanço do fogo até a chegada dos socorristas, os próprios moradores recorreram a baldes d'água em ações improvisadas. Além da ameaça física às casas, a poluição do ar agravou quadros de saúde. Moradora da Avenida Duque de Caxias, a aposentada Francisca Mendes descreveu a dificuldade para respirar e a necessidade de proteção constante:
“Fica assim, com um pouco de falta de ar. Desde ontem a gente está aqui com essa fumaça. Chegou a um ponto de estar puxando o fôlego. Precisa de máscara, porque senão não aguento. Estou operada da vista e ainda não tem nem um mês. Está difícil para a gente. Já é o segundo dia dessa queimada e até agora não deram jeito.”
O secretário municipal de Defesa Civil, coronel Feitosa, explicou a dinâmica da propagação e detalhou as dificuldades enfrentadas na contenção dentro do viveiro público:
“Esse foco começou ali na Embrapa e o vento, nesse calorzão, joga fagulha. Uma folha seca cai, uma fagulha numa folha seca, numa palmeira dessa que está seca, e rapidinho o fogo se alastra. Aí jogou para dentro do viveiro da Prefeitura e está pegando nas folhas secas. A gente está tentando minimizar isso aí.”
Equipes conjuntas do Corpo de Bombeiros Militar do Piauí e da Defesa Civil seguem com operações de combate direto e resfriamento na região atingida, concentrando esforços para extinguir os focos remanescentes e impedir qualquer avanço rumo ao perímetro urbano residencial.

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