
Durante a tradicional Audiência Geral realizada na Praça São Pedro nesta quarta-feira (7), o Papa Leão XIV dirigiu uma mensagem especial aos fiéis do Brasil ao antecipar as homenagens a Nossa Senhora Aparecida, cuja festa litúrgica ocorre na próxima segunda-feira, 12 de outubro. Diante de peregrinos lusófonos, o líder católico pediu bênçãos às famílias brasileiras e reforçou o papel pastoral da fé.
"Uma saudação cordial aos peregrinos de língua portuguesa, em especial aos grupos vindos do Brasil e de Portugal. Queridos irmãos e irmãs, na próxima segunda-feira, 12 de outubro, celebra-se Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil", declarou o pontífice, complementando a oração: "Confio todos vós e as vossas famílias à sua intercessão maternal. Que Nossa Senhora vos proteja sempre! Deus vos abençoe!".
Na catequese do dia, o pontífice ressaltou ainda os limites e a essência da atuação eclesial, afirmando que a missão da Igreja não possui caráter político-partidário, mas se fundamenta no testemunho da caridade cristã e no compromisso com a promoção de uma sociedade mais justa. A fala ganha relevo no momento em que o Santuário Nacional de Aparecida, no interior paulista, se prepara para acolher milhares de devotos no feriado nacional.
O pronunciamento ocorre em um contexto de atritos em torno da imagem da padroeira no cenário político do Brasil. Nas últimas semanas da corrida presidencial, a figura de Nossa Senhora Aparecida foi parar no centro de embates judiciais e acusações mútuas entre os polos da disputa.
Publicações em redes sociais chegaram a associar o candidato Flávio Bolsonaro (PL) a planos de retirar da santa o status oficial de padroeira do país. Flávio rechaçou categoricamente a informação, classificando-a como boato, e o tema virou alvo de recursos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) referentes à remoção e recolocação de conteúdos no ar.
O episódio ainda gerou tensão com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), após o postulante do PL insinuar que adversários do Partido dos Trabalhadores teriam articulado desinformação com auxílio interno na instituição. A entidade episcopal rechaçou qualquer envolvimento e frisou que não produz nem chancela manifestações eleitorais fraudulentas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa o pleito contra o senador, também incorporou a controvérsia em pronunciamentos de campanha.
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