
A cada pleito geral, a atualização minuto a minuto do placar eleitoral costuma despertar curiosidade e questionamentos: por que estados do Sul e Sudeste frequentemente disparam na frente com altos índices de apuração, enquanto estados do Norte e Nordeste registram percentuais menores nas primeiras horas após o fechamento dos colégios eleitorais?
A resposta técnica da Justiça Eleitoral afasta qualquer suspeita de irregularidade ou contagem diferenciada: o descompasso decorre de gargalos de telecomunicações, distâncias físicas no transporte de mídias e a dinâmica de processamento nos computadores centrais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Para compreender a defasagem, é necessário separar dois momentos distintos do processo de votação:
O principal obstáculo nas regiões Norte e Nordeste reside na conectividade. Em áreas interioranas e de difícil acesso geográfico, a velocidade e a estabilidade das redes de telecomunicações são inferiores às dos grandes centros urbanos do Centro-Sul.
Em seções muito isoladas, mesários precisam transportar a mídia física do resultado até um cartório com ponto de transmissão homologado ou utilizar sistemas satelitais para concluir o envio.
Quando esses dados alcançam os servidores centrais do TSE, deparam-se com uma triagem por ordem cronológica. De acordo com o secretário de Tecnologia da Informação da corte eleitoral, Julio Valente, o sistema opera como uma engrenagem bancária de alta demanda.
"Esses dados, ao chegarem ao CPD da Justiça Eleitoral, entram em uma estrutura semelhante a uma 'fila de banco' (...). Como tudo chega no TSE ao mesmo tempo e na mesma estrutura de dados, às vezes, 30 segundinhos que se leve para conectar depois da votação já são suficientes para que tenham entrado mais de 50 mil boletins de urna na frente", esclarece Valente.
Assim, os pacotes digitais das capitais e regiões com internet de ponta chegam primeiro e assumem a dianteira do processamento. Os arquivos que enfrentam contingências técnicas demoram mais para alcançar os servidores e aguardam sua vez de validação na fila digital.
A expectativa da Justiça Eleitoral é de que o fluxo de totalização ganhe velocidade expressiva no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A aceleração deve ocorrer pela drástica redução de cargos na cabine de votação. Enquanto no primeiro turno o cidadão precisou digitar votos para seis cargos (presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual), a segunda etapa exige muito menos decisões:
Piauí e outros sete estados nordestinos: Os eleitores votarão unicamente para presidente da República, já que as disputas para os governos estaduais foram encerradas na rodada inicial.
Rio Grande do Norte: Será o único estado da região com eleição simultânea para governador — disputada entre Allyson Bezerra e Cadu de Lula — e presidente.
Com menos números a registrar, o tempo de permanência de cada votante na cabine cai consideravelmente, diminuindo filas remanescentes após as 17h, antecipando o fechamento das urnas e desobstruindo a transmissão das mídias com muito mais rapidez.
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