
O resultado das urnas no Piauí evidenciou um abismo persistente entre o peso demográfico do eleitorado feminino e sua efetiva ocupação nos espaços de poder. Embora somem 51,7% das pessoas aptas a votar no estado — totalizando mais de 1,4 milhão de cidadãs, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PI) —, as mulheres conquistaram apenas quatro das 30 vagas da Assembleia Legislativa do Piauí (Alepi) e não conseguiram eleger nenhuma representante para o Congresso Nacional.
O percentual de assentos femininos no parlamento estadual para a legislatura que se inicia em 2027 repetirá exatamente o patamar registrado no pleito de 2022: míseros 13,3% da composição da Casa.
Entre as quatro deputadas estaduais eleitas, três garantiram a recondução aos mandatos que já exerciam, mantendo suas bases consolidadas:
Anyara Santos (MDB): Único nome novo a ingressar na bancada feminina, estreou conquistando 51.919 votos;
Janainna Marques (PT): Reeleita com 49.601 votos;
Ana Paula (MDB): Reeleita ao contabilizar 47.356 votos;
Simone Pereira (PSD): Assegurou novo mandato com 33.914 votos.
A entrada de Anyara Santos no lugar de outra vaga feminina mantém o número estático em quatro parlamentares, perpetuando uma sub-representação histórica no plenário do Legislativo piauiense.
O cenário revelou-se ainda mais desfavorável nas disputas para o Congresso Nacional, onde nenhuma candidata piauiense obteve êxito para a Câmara dos Deputados nem para o Senado Federal.
Na corrida pelas dez cadeiras federais do Piauí em Brasília, os homens arrebataram a totalidade das vagas a partir de 2027. O quadro representa um forte recuo em relação a pleitos anteriores, como o de 2018, quando o estado chegou a eleger quatro deputadas federais simultaneamente.
No Senado, as duas vagas renovadas na eleição também ficaram com nomes masculinos: Marcelo Castro (MDB) foi reeleito, enquanto Júlio César Lima (PSD) faturou o segundo mandato em disputa.
A única presença feminina a representar o Piauí no Senado Federal seguirá sendo a de Jussara Lima (PSD), cujo mandato não decorre do resultado das urnas deste ano. Jussara exerce o cargo como primeira suplente de Wellington Dias (PT), que se licenciou da função para chefiar o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
Como o mandato de sua chapa vai até 2029, a presença de Jussara no plenário federal está mantida, mas a eleição recém-concluída encerra seu ciclo sem adicionar nenhuma nova senadora ou deputada federal piauiense aos quadros do Congresso.
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