
As urnas deste domingo (4) redesenharam a correlação de forças no Congresso Nacional e consolidaram uma expressiva virada conservadora no Senado Federal. Levantamento realizado pelo SBT News aponta que a oposição ao governo federal conquistou a maioria da Casa, assegurando 45 dos 81 assentos a partir da renovação de dois terços das vagas em disputa (duas por unidade federativa), que agora se juntam aos 27 parlamentares com mandato vigente até 2031.
Com esse novo cenário, a bancada de sustentação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva encolhe de 38 para 26 senadores. Um grupo de 10 parlamentares mantém perfil independente, sem alinhamento automático a nenhum dos dois polos. Para preservar a hegemonia que mantinha na legislatura anterior — quando contava com 38 nomes, contra 29 oposicionistas e 14 indecisos —, o Planalto precisaria ter conquistado ao menos 32 das 54 cadeiras em disputa, meta não alcançada. Para a oposição, o patamar mínimo para a virada era de 26 eleitos.
O cálculo das bancadas já contabiliza a transição de dois senadores eleitos para governos estaduais: Sergio Moro (PL), que assumirá o Paraná com suplência do União Brasil, e Cleitinho Azevedo (Republicanos), eleito governador de Minas Gerais, cuja cadeira será ocupada por um suplente do Partido Liberal.
O PL, sigla que abriga o senador Flávio Bolsonaro, torna-se a maior bancada isolada da Casa, saltando de 15 para 28 representantes. Em contrapartida, o PSD de Gilberto Kassab amargou o maior revés político do pleito: desidratou de 14 parlamentares para apenas cinco, perdendo o posto de segunda força. O PT preservou o tamanho de sua representação, mantendo as nove cadeiras.
| Partido | Nova Bancada | Bancada Anterior |
| PL | 28 | 15 |
| União Brasil - PP (Federação) | 12 | 11 |
| PT | 9 | 9 |
| MDB | 8 | 9 |
| PSD | 5 | 14 |
| Republicanos | 5 | 6 |
| PSB | 4 | 6 |
| Novo | 3 | 0 |
| Podemos | 2 | 3 |
| PSDB | 2 | 4 |
| PDT | 1 | 2 |
| Rede | 1 | 0 |
| Sem partido | 1 | 1 |
A nova hegemonia da direita deve canalizar esforços para elevar a pressão institucional sobre o Supremo Tribunal Federal (STF). Pela Carta Magna, compete privativamente ao Senado processar e julgar ministros do STF em crimes de responsabilidade — desfecho que exige o voto favorável de dois terços do plenário (54 votos). Com os 45 senadores alinhados, a oposição fica a uma distância de nove apoios para atingir a margem necessária à abertura e aprovação de cassações de magistrados.
Além da ofensiva contra a Corte, a bancada reforçada pretende articular a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos condenados pelos episódios do 8 de Janeiro.
O tom crítico contra a Suprema Corte, catalisado desde as apurações judiciais sobre a tentativa de golpe de Estado, ganhou novo impulso no período eleitoral com menções a magistrados em mensagens resgatadas do aparelho telefônico do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Entre os nomes visados pela bancada bolsonarista está o do ministro Alexandre de Moraes, alvo recorrente de requerimentos de impeachment que acabaram travados na atual legislatura.
A transformação numérica traz impactos imediatos para a sucessão interna do Senado, marcada para fevereiro. O atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que até aqui funcionou como dique de contenção a pedidos de afastamento de membros do Judiciário, tentará a recondução em um plenário marcadamente mais desfavorável.
A musculatura eleitoral da direita projeta alternativas de perfil conservador para concorrer ao comando do Legislativo. Entre os nomes cotados para rivalizar com Alcolumbre e liderar a mesa diretora figuram o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), e a senadora Tereza Cristina (PP-MS).
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