
A criação de pessoas jurídicas de fachada para emissão de notas fiscais fraudulentas foi o método utilizado por dois colaboradores de uma grande rede de supermercados para desviar aproximadamente R$ 2 milhões da companhia. A fraude, que vinha sendo monitorada há cerca de um ano pela Polícia Civil do Maranhão, foi alvo da Operação Nota Fria nesta quinta-feira (8), deflagrada em conjunto com a Polícia Civil do Piauí.
O mecanismo do golpe foi detalhado pelo diretor do Centro de Recuperação de Ativos, delegado Bruno Galdino. De acordo com as apurações, um gerente executivo e uma funcionária baseada em São Luís abriram duas firmas fictícias — uma voltada formalmente para a locação de veículos e outra para a prestação de serviços na área de informática. Por meio dessas estruturas, a dupla emitia notas de serviços que nunca eram efetivamente prestados à empresa, permitindo a liberação contínua de pagamentos irregulares em favor dos envolvidos. A fraude começou a ruir quando o setor de controle identificou que tais prestadoras destoavam do perfil habitual de fornecedores do grupo.

Com a comprovação dos desvios ao longo das apurações, as forças de segurança cumpriram dez mandados de busca e apreensão nos dois estados vizinhos com a finalidade de coletar provas e estrangular o patrimônio adquirido de forma ilícita. A maior parte das ordens judiciais foi executada em Teresina, onde foram vistoriados seis endereços. No Maranhão, outros quatro mandados foram cumpridos: dois na capital São Luís, um em São José de Ribamar e outro em Bacabal.
Durante as ações nos imóveis dos investigados, os policiais apreenderam veículos, celulares, relógios de alto valor e uma arma de fogo registrada, além de iniciarem o rastreio e bloqueio judicial de contas bancárias. Segundo o delegado Breno Aguiar, as medidas de constrição patrimonial têm como meta reaver bens e valores obtidos por meio do esquema para garantir o ressarcimento do montante subtraído. As investigações continuam com a análise dos itens apreendidos.
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