
Cores, traços e a sensibilidade de 30 crianças e adolescentes piauienses cruzarão o oceano para ganhar as paredes de um dos espaços culturais mais emblemáticos do planeta. Entre os dias 23 e 25 de outubro, trabalhos produzidos por estudantes com idades entre 5 e 17 anos estarão em cartaz no Carrossel do Louvre — complexo subterrâneo anexo ao tradicional Museu do Louvre, em Paris.
A comitiva de jovens pintores integra o projeto “Children Coloring The World”, idealizado e conduzido pela artista plástica e educadora Luciana Severo, que comanda um ateliê de artes visuais em Teresina. A exibição na França marca a terceira incursão internacional do grupo, com despesas de logística e passagens custeadas pelas famílias dos pequenos artistas.
Criada há mais de dez anos, a iniciativa de internacionalização já contabiliza exibições em 12 nações e envolveu mais de 400 alunos ao longo de sua trajetória, incluindo a participação de estudantes da rede pública de ensino em edições anteriores realizadas na Itália e nos Estados Unidos.
A curadoria das telas ocorre a partir de um processo seletivo no primeiro trimestre do ano, no qual o potencial criativo e a evolução técnica de cada aluno são avaliados.
A própria trajetória de Luciana reflete a força transformadora da expressão artística. Bacharel em Direito e ex-moradora do Rio de Janeiro, ela migrou para as artes plásticas após questões de saúde. Transferida para a capital piauiense há uma década em razão do trabalho do marido, consolidou um polo educativo que hoje atende mais de 300 aprendizes:
"Quando eu fui ver, já estava com 40, 50 alunos dentro do meu apartamento, ensinando aula de artes. [...] A gente se apaixonou pela cidade e a escola cresceu muito aqui. Então, permanecemos e hoje tenho mais de 300 alunos matriculados em diversos cursos", relembra a professora.
Entre os expositores selecionados para a temporada parisiense está Valentina, de 14 anos, que se dedica à pintura em tela desde os 9. Suas composições valorizam temas nacionais e a identidade feminina:
"Quando eu pinto, tento transformar meus sentimentos em arte. Estou muito animada e com uma expectativa enorme de levar uma obra brasileira para outro país", afirma a jovem.
Valentina, de 14 anos - Foto: g1.globo.com
Para a mãe de Valentina, a enfermeira Nirvania Carvalho, a prática começou como uma válvula de escape para o cotidiano escolar e tornou-se um caminho de amadurecimento cultural. "A gente buscou que ela tivesse um hobby e ela se adaptou bem. Estamos sempre motivando", comenta.
Quem também se prepara para ver sua criação exposta ao lado do Louvre é Elisa, de 13 anos, cuja pesquisa estética bebe na fonte do surrealismo. A adolescente, que também ingressou nos ateliês aos 9 anos por motivação pessoal, comemora a visibilidade:
"Expor próximo ao Louvre é uma grande honra, por estar perto de obras de artistas conhecidos mundialmente, mostrando o quanto podemos ir além com nossa arte", relata Elisa.
Sua mãe, Juliana Sena, reforça que a família prioriza o bem-estar e o desenvolvimento pessoal em detrimento de pressões por resultados: "O objetivo era estimular a criatividade, a expressão emocional e trabalhar o desenvolvimento motor. E assim ela segue, trilhando o próprio caminho".

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