
A sessão plenária extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) começou marcada por alta tensão institucional, recusa de magistrados em votar e forte atrito verbal entre os integrantes da Corte. O Plenário analisa o relatório da Polícia Federal — elaborado a pedido do relator André Mendonça — que aponta mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, ex-dono do extinto Banco Master, e ao ministro Alexandre de Moraes.
Na abertura dos trabalhos, o presidente do STF, Edson Fachin, alertou que o tribunal atravessa "um período difícil de sua história". Em tom de apelo histórico, Fachin defendeu a preservação da imagem do tribunal e a colegialidade, destacando que divergências jurídicas não devem se transformar em confrontos pessoais: "Não temos o direito de entregar às gerações futuras um Supremo menor do que aquele que recebemos".
Impedimentos e suspeições na bancada
Logo após o discurso de abertura, duas baixas foram confirmadas na votação:
Kassio Nunes Marques: Declarou-se impedido e retirou-se do plenário. Citado em diálogos do caso juntamente com seu filho, o magistrado negou qualquer irregularidade e justificou que sua participação poderia gerar questionamentos sobre sua neutralidade como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diante do pleito de 2026.
Dias Toffoli: Declarou suspeição por foro íntimo. Ex-relator do caso Banco Master antes de deixar o processo em fevereiro por vínculos apontados pela PF, Toffoli informou que não votará, embora tenha permanecido na sessão.
Proposta de adiamento e unificação
Uma questão de ordem apresentada por Flávio Dino e levada formalmente ao plenário pelo decano Gilmar Mendes pediu o adiamento da análise para a próxima semana (23 de setembro). O objetivo é unificar o julgamento com a petição de Moraes sobre a conduta de André Mendonça. O documento também aponta irregularidades na atuação da Presidência por avocar para si o relatório sem redistribuição por sorteio.
Polícia Federal e bate-boca em plenário
O clima esquentou quando o colegiado debateu a decisão de André Mendonça de afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Enquanto Luiz Fux defendeu a medida ao declarar que nenhum órgão pode "peitar ministro do STF" — secundado por Mendonça, que afirmou existir uma "PF paralela" —, Gilmar Mendes fez duras críticas à decisão cautelar, comparando-a a demitir o comandante do Exército.
O embate escalou quando o decano acusou a investigação de Mendonça de possuir "inequívoco viés eleitoral" com foco nas eleições de 2026 e exploração política de datas como o 7 de Setembro. A manifestação provocou resposta imediata de André Mendonça, que disparou: "O senhor está sendo leviano".
Após os desentendimentos e a leitura das questões preliminares, a sessão foi temporariamente suspensa para intervalo com previsão de retomada no período da tarde.
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