
A manipulação indevida de 41 benefícios previdenciários e a criação de identidades falsas causaram um rombo superior a R$ 1 milhão na Previdência Social no Piauí. O esquema, que operava por meio do uso de dados de segurados já falecidos e do registro de beneficiários inexistentes, culminou na condenação de sete pessoas pela 1ª Vara Federal Criminal da Justiça Federal no Estado.
A engrenagem do golpe funcionava a partir de fraudes documentais elaboradas. De acordo com as apurações judiciais, os envolvidos fabricavam papéis falsificados para driblar a fiscalização e conseguir acesso a contas bancárias. Com isso, além de sacarem mensalmente proventos que deveriam ter sido cessados pelo INSS, realizavam operações financeiras complexas, como saques de valores retroativos e a contratação de empréstimos consignados em nome dessas identidades artificiais.
Diante do conjunto de provas reunido desde a denúncia formalizada em junho de 2022, o juiz federal Gustavo André dos Santos sentenciou o grupo pelos crimes de organização criminosa, falsificação de documento público e estelionato. Jucivan Medeiros e Nestor Nascimento Neto foram apontados na sentença como os articuladores e chefes do núcleo criminoso. Também receberam sentença condenatória:
Dionatan Silva;
Divanildo Nascimento;
Paulo Coelho Neto;
Francisco Alves Filho;
Jeferson Robson Pereira.
O processo também julgou a conduta de Francisca Soares, denunciada originalmente junto com os demais suspeitos. No caso dela, o magistrado decidiu pela absolvição, acolhendo a tese de falta de provas materiais que atestassem sua efetiva participação nos atos ilícitos.
O caso julgado agora pela Justiça Federal reforça o histórico de ofensivas contra fraudes previdenciárias registradas no estado. Em abril de 2026, por exemplo, a Polícia Federal deflagrou a Operação Bórgias 2, que cumpriu nove mandados de prisão e 17 de busca e apreensão entre Teresina e cidades do interior do Maranhão (Codó e Bacabal). Aquele inquérito identificou práticas semelhantes, marcadas por alterações cadastrais e transferência de domicílios bancários para sangrar recursos da Previdência.
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