
O cálculo eleitoral da corrida ao Palácio do Planalto provocou uma guinada na estratégia da oposição no Senado Federal. Temendo associar a imagem do candidato Flávio Bolsonaro (PL) à manutenção de jornadas de trabalho exaustivas, parlamentares de direita abandonaram os planos de montar uma tropa de choque para obstruir a proposta que extingue a escala 6x1.
A sessão deliberativa foi convocada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para esta quarta-feira (14). A pauta — que substitui o modelo tradicional de seis dias trabalhados por um de descanso — consolidou-se como uma das vitrines prioritárias da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ganhou destaque central na reta final da disputa eleitoral.
Nas últimas reuniões de bastidores, a bancada aliada a Flávio avaliou que confrontar abertamente o fim da escala 6x1 traria um custo político elevado. Embora o senador do PL sustente um projeto alternativo baseado na flexibilização das relações e jornadas de trabalho, os articuladores concluíram que seria uma tarefa complexa diferenciar as nuances das propostas para a população durante o período de campanha.
Para a cúpula da oposição, insistir em travar a matéria corria o risco de soar como rejeição simples à melhoria da qualidade de vida do trabalhador, gerando munição discursiva para adversários políticos.
Outro elemento determinante para o recuo foi a percepção do aumento das mobilizações de rua favoráveis ao governo federal. Em conversas reservadas, interlocutores da direita pontuaram que criar um impasse legislativo em torno de um tema de apelo popular imediato daria à campanha governista um trunfo eleitoral na reta decisiva.
O recuo tático, segundo lideranças oposicionistas, não se traduz em endosso automático ao projeto governista, mas visa a desarmar uma batalha pública desgastante. O foco do grupo agora é construir uma narrativa que apresente a flexibilização trabalhista sem atrelar a candidatura de Flávio Bolsonaro à preservação do regime de trabalho vigente.
Enquanto a oposição opta por não travar a pauta, a liderança do governo no Congresso prepara uma ofensiva para acelerar o rito de aprovação. A expectativa dos governistas é votar o texto em dois turnos ao longo da própria sessão desta quarta-feira (14), liquidando a tramitação da proposta na Casa e assegurando uma vitória simbólica e legislativa no plenário.
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