
A Companhia Porto Piauí traçou como meta para 2027 o início das exportações diretas de grãos do terminal marítimo de Luís Correia com destino a Portugal. O plano começou a ser delineado após uma missão institucional da diretoria de Desenvolvimento de Negócios da estatal piauiense a complexos portuários portugueses, com foco em aproximar investidores e abrir corredores bilaterais de comércio exterior.
A iniciativa dá sequência a um memorando de entendimentos firmado em abril de 2026 com o Porto de Aveiro. A estratégia agora entra na fase de alinhamento operacional para viabilizar o fluxo de cargas nos dois sentidos: enquanto o Piauí enviará commodities agrícolas e produtos regionais, poderá desembarcar diretamente produtos nobres europeus, como vinhos e azeites.
A articulação internacional foi conduzida por Daniel Martins, diretor comercial da Investe Piauí para os Mercados Europeus, em cooperação técnica com a Universidade de Coimbra e autoridades portuárias de Portugal.
Porto Aveiro, em Portugal
De acordo com o diretor de Desenvolvimento de Negócios da Porto Piauí, Brunno Gonçalves, o mercado europeu demonstra interesse imediato na produção agrícola do estado, prioritariamente:
Soja e milho em grão;
DDG (grãos secos de destilaria): coproduto de alto teor nutricional derivado da produção de etanol de milho, amplamente demandado para a formulação de ração animal;
Cargas em negociação avançada: mel silvestre e plumas de algodão.
"Foi muito importante conhecer in loco a movimentação expressiva desses portos, que já são consolidados e apresentam características semelhantes às do nosso", avaliou Brunno Gonçalves, ressaltando o potencial de a operação de 2027 servir de âncora para a consolidação comercial do terminal de Luís Correia.
A viabilidade da nova rota apoia-se na compatibilidade técnica e no calado operacional dos ancoradouros envolvidos. Atualmente, o Porto Piauí funciona com um canal de 7 metros de profundidade durante a maré baixa e atinge 9,5 metros na maré alta — estrutura testada em junho com a atracação do seu primeiro navio de carga, o graneleiro Konta II, com 109 metros de comprimento.
Com base nessas características, a autoridade portuária do Piauí desenhou uma estratégia segmentada para os terminais em território luso:
Porto de Aveiro (Prioridade para Grãos): Dotado de um terminal específico para granéis agroalimentares, tem calado médio de 9,75 metros e capacidade para atracar navios de até 200 metros, sendo o ponto de desembarque escolhido para as safras de soja e milho.
Porto da Figueira da Foz (Carga Geral e Contêineres): Recebe navios de até 120 metros e 6,5 metros de calado. Com a conclusão de obras de dragagem e infraestrutura marítima prevista para este mês de outubro, a unidade elevará sua capacidade para calado de 8 metros e embarcações de até 140 metros, credenciando-se para o transporte de cargas conteinerizadas.
Porto de Sines (Setor Mineral): Ficará encarregado das futuras etapas logísticas de transbordo do minério de ferro extraído no Piauí.
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