
A campanha Outubro Rosa mobiliza anualmente a sociedade em torno de uma pauta urgente: a conscientização sobre o câncer de mama e a relevância de identificar a doença em seus estágios iniciais. Mais do que uma cor ou um mês comemorativo, o período consolida-se como um lembrete constante de que o cuidado com a saúde feminina deve ser cultivado em todos os meses do ano, unindo prevenção, acesso rápido a exames e acolhimento emocional.

O impacto de um diagnóstico de câncer de mama é profundo, mas pode dar origem a redes de apoio transformadoras. É o caso da professora universitária Joyce Bezerra, natural de Parnaíba (PI). Descobrir a doença aos 40 anos, ao realizar sua primeira mamografia, mudou drasticamente sua trajetória.
Após encarar uma rotina exaustiva de 16 sessões de quimioterapia, cirurgias e 19 sessões de radioterapia — além da perda temporária de cabelos, sobrancelhas e unhas —, Joyce encontrou na solidariedade uma nova missão de vida. Para retribuir o suporte recebido, ela idealizou três projetos de grande impacto social: Oncofeira, Cura Terapia e Vencendo o Bom Combate contra o Câncer.
As iniciativas auxiliam mulheres no início do tratamento com oficinas de automaquiagem, confecção de próteses externas de sutiã, amarração de lenços e orientação prática sobre os fluxos hospitalares. A Oncofeira, em especial, fomenta o empreendedorismo e o artesanato, permitindo que pacientes afastadas do mercado formal recuperem sua autonomia financeira. Hoje, na reta final do tratamento medicamentoso de cinco anos, Joyce deixa uma mensagem de encorajamento:
"Sei exatamente o túnel escuro e o buraco onde você sente que está caindo. Mas quero dar um testemunho de fé e coragem: estamos levantando a maior geração de vitoriosas que o câncer já viu!"
No âmbito estadual, os números reforçam a necessidade de manter o rastreamento em dia. Conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), o Piauí registrou 547 casos da doença em 2025, contabilizando até agosto de 2026 outros 186 diagnósticos e 105 óbitos decorrentes da enfermidade.
Para reverter esse quadro e ampliar as chances de cura — que aumentam exponencialmente quando o tumor é descoberto no início —, a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) tem buscado agilidade. De acordo com Auzeni de Moura Fé, coordenadora estadual de Atenção à Saúde da Mulher, cerca de 80% das pacientes conseguem realizar a mamografia em até dez dias após a solicitação médica, sendo que metade obtém o laudo no mesmo prazo.
O estado conta com mamógrafos instalados em 10 municípios e 16 equipamentos distribuídos nas centrais de diagnóstico de todos os 12 territórios de desenvolvimento. Para alcançar populações em áreas isoladas, unidades móveis equipadas circulam por meio de cronogramas mensais.

Especialistas reforçam a importância do autoconhecimento corporal. Mulheres devem observar com atenção qualquer mudança física e buscar avaliação médica imediata caso percebam:
Nódulos fixos e palpáveis na mama ou na região da axila;
Alterações repentinas no formato ou na textura da pele;
Vermelhidão ou aspecto semelhante à casca de laranja;
Mudanças visíveis ou retrações no mamilo;
Eliminação espontânea de líquido pelos mamilos;
Dores persistentes ou incomuns na região mamária.
O principal exame de rastreamento continua sendo a mamografia. As diretrizes oficiais recomendam que mulheres entre 50 e 74 anos realizem o exame bianualmente. Já para a faixa etária dos 40 aos 49 anos ou acima dos 74, a indicação deve ser avaliada de forma individualizada com um profissional de saúde, ponderando riscos e benefícios.
Aliado aos exames preventivos, adotar hábitos de vida saudáveis — como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas, controlar o peso corporal, evitar o tabagismo e reduzir ou eliminar o consumo de álcool — contribui de forma decisiva para a proteção da saúde integral da mulher.
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