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Outubro Rosa: a importância vital do diagnóstico precoce e da rede pública na luta contra o câncer de mama

Histórias de superação, como a da parnaibana Joyce Bezerra, unem-se a dados estaduais e orientações médicas para reforçar que o autocuidado e o acesso rápido ao SUS salvam vidas

28/10/2026 às 16h56
Por: Adaildo Mesquita Fonte: portalodia.com
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Outubro Rosa: a importância vital do diagnóstico precoce e da rede pública na luta contra o câncer de mama

A campanha Outubro Rosa mobiliza anualmente a sociedade em torno de uma pauta urgente: a conscientização sobre o câncer de mama e a relevância de identificar a doença em seus estágios iniciais. Mais do que uma cor ou um mês comemorativo, o período consolida-se como um lembrete constante de que o cuidado com a saúde feminina deve ser cultivado em todos os meses do ano, unindo prevenção, acesso rápido a exames e acolhimento emocional.

Histórias que transformam dor em esperança

O impacto de um diagnóstico de câncer de mama é profundo, mas pode dar origem a redes de apoio transformadoras. É o caso da professora universitária Joyce Bezerra, natural de Parnaíba (PI). Descobrir a doença aos 40 anos, ao realizar sua primeira mamografia, mudou drasticamente sua trajetória.

Após encarar uma rotina exaustiva de 16 sessões de quimioterapia, cirurgias e 19 sessões de radioterapia — além da perda temporária de cabelos, sobrancelhas e unhas —, Joyce encontrou na solidariedade uma nova missão de vida. Para retribuir o suporte recebido, ela idealizou três projetos de grande impacto social: Oncofeira, Cura Terapia e Vencendo o Bom Combate contra o Câncer.

As iniciativas auxiliam mulheres no início do tratamento com oficinas de automaquiagem, confecção de próteses externas de sutiã, amarração de lenços e orientação prática sobre os fluxos hospitalares. A Oncofeira, em especial, fomenta o empreendedorismo e o artesanato, permitindo que pacientes afastadas do mercado formal recuperem sua autonomia financeira. Hoje, na reta final do tratamento medicamentoso de cinco anos, Joyce deixa uma mensagem de encorajamento:

"Sei exatamente o túnel escuro e o buraco onde você sente que está caindo. Mas quero dar um testemunho de fé e coragem: estamos levantando a maior geração de vitoriosas que o câncer já viu!"

Cenário epidemiológico e a rede de atendimento no Piauí

No âmbito estadual, os números reforçam a necessidade de manter o rastreamento em dia. Conforme dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), o Piauí registrou 547 casos da doença em 2025, contabilizando até agosto de 2026 outros 186 diagnósticos e 105 óbitos decorrentes da enfermidade.

Para reverter esse quadro e ampliar as chances de cura — que aumentam exponencialmente quando o tumor é descoberto no início —, a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) tem buscado agilidade. De acordo com Auzeni de Moura Fé, coordenadora estadual de Atenção à Saúde da Mulher, cerca de 80% das pacientes conseguem realizar a mamografia em até dez dias após a solicitação médica, sendo que metade obtém o laudo no mesmo prazo.

O estado conta com mamógrafos instalados em 10 municípios e 16 equipamentos distribuídos nas centrais de diagnóstico de todos os 12 territórios de desenvolvimento. Para alcançar populações em áreas isoladas, unidades móveis equipadas circulam por meio de cronogramas mensais.

Sinais de alerta e exames recomendados

Especialistas reforçam a importância do autoconhecimento corporal. Mulheres devem observar com atenção qualquer mudança física e buscar avaliação médica imediata caso percebam:

  • Nódulos fixos e palpáveis na mama ou na região da axila;

  • Alterações repentinas no formato ou na textura da pele;

  • Vermelhidão ou aspecto semelhante à casca de laranja;

  • Mudanças visíveis ou retrações no mamilo;

  • Eliminação espontânea de líquido pelos mamilos;

  • Dores persistentes ou incomuns na região mamária.

O principal exame de rastreamento continua sendo a mamografia. As diretrizes oficiais recomendam que mulheres entre 50 e 74 anos realizem o exame bianualmente. Já para a faixa etária dos 40 aos 49 anos ou acima dos 74, a indicação deve ser avaliada de forma individualizada com um profissional de saúde, ponderando riscos e benefícios.

Aliado aos exames preventivos, adotar hábitos de vida saudáveis — como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas, controlar o peso corporal, evitar o tabagismo e reduzir ou eliminar o consumo de álcool — contribui de forma decisiva para a proteção da saúde integral da mulher.

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