
Um suposto esquema de coleta indevida de dados pessoais mobilizou autoridades e acendeu um alerta para moradores da capital piauiense. A Polícia Civil abriu investigação para identificar e localizar uma mulher denunciada por fingir integrar o quadro de entrevistadores do Cadastro Único (CadÚnico) para obter documentos e registros fotográficos da população.
O caso foi formalizado por meio de boletim de ocorrência registrado no último dia 29 de setembro, após denúncias recebidas pela Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi). Diante da gravidade da violação, o episódio também foi comunicado formalmente ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), responsável pela coordenação nacional da base do CadÚnico — ferramenta indispensável para o ingresso e a manutenção de famílias em vulnerabilidade em programas sociais do governo federal.
Conforme apurações preliminares da Semcaspi, as abordagens se concentraram em bairros da Zona Sudeste de Teresina. A suspeita se apresentava às famílias pelo nome de Larissa, vestindo uma camisa preta estampada com a inscrição "Cadastro Único".
Em pelo menos uma das situações relatadas, a falsa servidora conseguiu permissão para ingressar em uma residência, onde pediu informações particulares e fotografou a vítima. O método de atuação também envolvia telefonemas prévios, com a alegação de agendamento de visitas domiciliares de assistência social.
A farsa foi confirmada após consulta direta ao Centro de Referência de Assistência Social (Cras) da região, que atestou que a mulher em questão não faz parte de nenhuma equipe socioassistencial da rede municipal.
Para evitar fraudes e resguardar dados sigilosos da população, a Semcaspi recomendou atenção redobrada diante de qualquer abordagem de pessoas que afirmem atuar no serviço social. A pasta enfatizou que os técnicos oficiais trabalham com uniforme padrão e crachá funcional visível com dados de identificação.
Entre as principais recomendações repassadas pelas autoridades, destacam-se:
Exigência de identificação: solicitar o crachá do profissional e, em caso de dúvida, entrar em contato direto com a unidade do Cras do território para confirmar a autenticidade da visita;
Cuidado com dados e imagens: não entregar documentos, senhas ou informações privadas nem autorizar capturas fotográficas sem total clareza da finalidade legal;
Atenção a contatos suspeitos: suspender qualquer procedimento caso haja desconfiança sobre a abordagem e recorrer aos canais oficiais da rede de atendimento;
Registro policial: acionar imediatamente as autoridades de segurança pública e registrar boletim de ocorrência em situações de tentativa de captura ou obtenção indevida de dados pessoais.
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