
Uma crise cibernética de proporções globais levou instituições governamentais do Brasil e de diversas nações a retirarem plataformas digitais do ar de forma preventiva entre a última quarta-feira (21) e esta quinta-feira (22). A causa são duas falhas críticas recém-descobertas no código-fonte do PHP, uma das linguagens de programação mais difundidas da internet, utilizada em cerca de 70% dos sites em operação no mundo.
As brechas receberam nota 9,2 em uma escala de severidade que vai até 10, conforme apontou o Centro Integrado de Segurança Cibernética do Governo Digital (CISC). O perigo reside na capacidade de invasores executarem comandos à distância diretamente nos servidores, sem qualquer necessidade de senha ou autenticação. Tal abertura deixa bases de dados vulneráveis a vazamento, adulteração de arquivos ou sequestro de sistemas inteiros.
No âmbito federal brasileiro, o Centro de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos de Governo (CTIR Gov), ligado à Secretaria de Governo Digital (SGD/MGI), expediu uma diretriz de emergência orientando que todos os sistemas operados em PHP fossem desconectados da internet imediatamente.
Entre os principais impactados esteve o Sistema Eletrônico de Informações (SEI), plataforma padrão de tramitação de processos administrativos no setor público. Enquanto durou o isolamento digital, os órgãos recorreram à assinatura pelo portal GOV.BR e ao envio de expedientes urgentes por e-mail, assegurando a continuidade das atividades internas. Portais federais estruturados sob outras linguagens permaneceram operacionais.
A onda de bloqueios temporários alcançou diversas entidades estratégicas:
Anatel: A agência reguladora desligou o acesso público ao seu SEI por quase dez horas na quarta-feira (21), restabelecendo a operação às 22h04 após aplicar os patches oficiais de correção, sem que tenham sido detectadas invasões.
TRF1 e TRF4: A Justiça Federal da 4ª Região interrompeu suas plataformas externas ainda na manhã de quarta-feira. Seguindo a mesma recomendação técnica, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região também restringiu os acessos para resguardar a integridade dos dados processuais.
TRF6: Com a conclusão da manutenção e dos testes de estabilidade, o Tribunal Regional Federal da 6ª Região conseguiu normalizar seus sistemas nesta quinta-feira (22), retomando prazos e o atendimento regular.
O incidente não ficou restrito ao cenário nacional. Os problemas estavam ocultos há anos no núcleo do software e foram identificados recentemente com o suporte de ferramentas de inteligência artificial. Tão logo os desenvolvedores oficiais do PHP divulgaram os boletins técnicos, a empresa de infraestrutura Cloudflare registrou milhões de tentativas automatizadas de ataques ao redor do planeta.
No Japão, órgãos governamentais e companhias privadas desligaram funcionalidades web para evitar incidentes. Na Finlândia, a estatal de infraestrutura digital Valtori mobilizou equipes em regime contínuo para aplicar as defesas em serviços essenciais à população.
Especialistas reforçam que ajustes superficiais nas páginas não bastam: como a falha atinge o núcleo (core) do PHP, cada servidor precisa atualizar a versão da linguagem por completo. Enquanto a instalação definitiva é processada, as equipes de TI têm adotado barreiras provisórias, como filtros de firewall, limitação de pacotes de dados nas requisições e monitoramento ostensivo de tráfego anômalo.
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