
A economia piauiense alcançou um patamar inédito ao projetar um Produto Interno Bruto (PIB) nominal de R$ 104 bilhões para o encerramento de 2026. Os números, divulgados pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (ETENE), órgão de pesquisas do Banco do Nordeste (BNB), indicam um avanço real de 4,1% no ritmo de atividade do estado neste ano, acelerando de forma substancial em relação ao crescimento de 1,5% observado em 2025.
O resultado consolida uma trajetória contínua de ampliação das riquezas estaduais: em 2021, o PIB corrente era de R$ 64 bilhões, subiu para R$ 94 bilhões no ano passado e agora ultrapassa a faixa centenária. O ganho também se reflete no bolso da população. O PIB per capita do Piauí tem salto previsto de R$ 27.760 em 2025 para R$ 30.579 em 2026.
O motor principal desse desempenho em 2026 é o agronegócio, cuja expansão estimada é de 13%. O salto produtivo foi impulsionado pela colheita de grãos, cereais, leguminosas e oleaginosas, que saltou de 5,66 milhões para 6,81 milhões de toneladas — um crescimento de 20,3%. Destaque para a cultura da soja, que avançou 17,1% (atingindo 4,19 milhões de toneladas), e para a primeira safra de milho, com expressiva alta de 42,4%.
Apesar do protagonismo rural, o relatório enfatiza que o avanço piauiense se distribui entre as demais cadeias produtivas:
Indústria: Registra elevação estimada de 7,3%, beneficiada por linhas de financiamento para modernização do parque fabril, compra de maquinário e softwares.
Serviços e Comércio: Segmento que concentra a maior fatia da economia local (72% do PIB total), com previsão de alta de 1,8%.
Segundo o gerente do ETENE/BNB, Allisson Martins, a diversificação tem garantido sustentabilidade ao crescimento: "O agro cresce, a indústria cresce e os serviços crescem. É um crescimento equilibrado, sem ficar na razão de dependência de um segmento específico", avaliou o economista.
O dinamismo produtivo encontrou sustentação na melhora dos indicadores sociais. A taxa de desemprego no estado recuou para 7,5% no terceiro trimestre de 2026. Esse avanço na ocupação formal e informal operou, conforme aponta a análise do BNB, como uma espécie de colchão de proteção contra o endividamento e a perda do poder de compra das famílias piauienses.
Em paralelo, a atração de verbas públicas para empreendimentos de infraestrutura — a exemplo de rodovias, pontes e melhorias portuárias — impulsionou a Formação Bruta de Capital Fixo, atraindo novos aportes da iniciativa privada para o estado.
O cenário favorável de 2026, no entanto, deve dar lugar a uma marcha mais lenta no próximo ano. O BNB estima que a economia piauiense crescerá 0,4% em 2027. A moderação reflete tanto a base de comparação muito elevada deixada pelo recorde deste ano quanto a ameaça climática trazida pelo fenômeno El Niño.
Previsões do Boletim nº 3 do Painel El Niño 2026-2027 indicam risco de um dos episódios mais severos do fenômeno desde meados do século passado, com previsão de chuvas abaixo da média histórica e temperaturas extremas no Nordeste. O tempo seco pode dificultar a germinação e o plantio do ciclo 2026/2027 de grãos no Cerrado do Piauí e Maranhão, projetando uma retração de 0,8% na agropecuária em 2027 — ainda que beneficie pontualmente a colheita e secagem de produtos como o algodão.

Martins esclarece que a projeção menor para o próximo ciclo não configura recessão, mas ajuste de rota: "Essa desaceleração é como se você estivesse andando em um carro a 60 km/h e ele continuasse caminhando para a frente, mas não mais a 60 km/h, e sim a 40 km/h". O comportamento das precipitações nos meses de transição de safra será a chave para calibrar o fechamento econômico do Piauí em 2027.
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