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De virada, Lula derrota Flávio Bolsonaro no 2º turno e conquista 4º mandato presidencial

Em feito inédito na Nova República, petista reverte desvantagem da primeira etapa, alcança 51,79% dos votos válidos e sela vitória em eleição marcada por prorrogação de votação pelo STF

26/10/2026 às 15h49
Por: Adaildo Mesquita
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De virada, Lula derrota Flávio Bolsonaro no 2º turno e conquista 4º mandato presidencial

Pela primeira vez desde a redemocratização de 1988, o Brasil assistiu a uma virada eleitoral entre o primeiro e o segundo turno na disputa pelo Palácio do Planalto. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi consagrado vencedor das eleições de 2026 neste domingo (25), assegurando seu quarto mandato presidencial com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), com 99,99% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A confirmação matemática do resultado veio ainda durante a apuração: às 21h03, com 97,69% das urnas totalizadas, o TSE declarou a vitória de Lula, momento em que registrava 51,75% (63.998.029 votos) frente a 48,25% (59.670.423 votos) do adversário. O presidente eleito tem posse prevista para o dia 5 de janeiro de 2027.

Confira o mapa de votação das Eleições 2026 no 2º turno e veja o resultado do TSE no O GLOBOFoto: oglobo.globo.com

A inédita inversão do tabuleiro

O desfecho rompe uma tradição histórica de nove disputas presidenciais anteriores sob o sistema de dois turnos, nas quais o líder da primeira etapa sempre confirmava a vitória na rodada final.

Em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro havia saído na liderança com 47,03% da preferência do eleitorado, enquanto Lula registrara 45,16%. Ao longo das três semanas seguintes, o petista construiu uma recuperação que culminou na inversão do placar nas urnas.

O Nordeste manteve-se como principal esteio da votação do petista. No Piauí, a vantagem foi expressiva: Lula concentrou 75,88% dos votos válidos (1.653.989 votos), contra 24,12% concedidos a Flávio Bolsonaro (525.859 votos). O estado chegou ao pleito sem segundo turno local, já que o governador Rafael Fonteles (PT) havia sido reeleito já na primeira etapa com quase 71% dos votos.

Dia de votação teve prorrogação histórica pelo STF

Além do resultado das urnas, a jornada de votação deste domingo entrou para a história republicana por uma intervenção jurídica sem precedentes na era da urna eletrônica (instituída em 1994).

Diante de pedidos protocolados por ambas as coligações, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a extensão do horário de encerramento da votação em duas horas. A medida foi concedida quando a maior parte das seções eleitorais pelo país já havia concluído suas atividades, garantindo que as mesas ainda abertas continuassem recebendo eleitores até as 19h. O episódio contrasta com o cenário de 2022, quando solicitações semelhantes do PT por conta de operações rodoviárias no Nordeste foram rejeitadas pelo então presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes.

Choque de estratégias: mobilização de base contra alianças institucionais

A vitória de Lula e a resistência de Flávio refletiram táticas diametralmente opostas adotadas pelas duas frentes de campanha na reta final:

  • A reação petista nas ruas e nas redes: Para neutralizar o déficit inicial, o Partido dos Trabalhadores deflagrou, em 9 de outubro, a ofensiva intitulada “Bota para virar”. A coordenação combinou engajamento digital massivo — com o canal do WhatsApp "Exército do Lula", coordenado pelo deputado André Janones, superando a marca de 10 milhões de inscritos — a bandeiras econômicas de forte apelo popular, como o fim da escala de trabalho 6x1 e a anistia de dívidas de Microempreendedores Individuais (MEIs). Após caravanas pelo Nordeste, a campanha concentrou seus últimos esforços nas capitais do Sudeste, encerrando o calendário com atos de rua em São Paulo e no Rio de Janeiro.


Foto: cidadeverde.com

  • A estrutura de apoios e carreatas do PL: Flávio Bolsonaro buscou consolidar o capital eleitoral do primeiro turno construindo uma ampla frente conservadora e de centro-direita. O candidato incorporou o apoio de ex-concorrentes à presidência — como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Clariana Barão (DC) — e contou com palanques dos governadores Tarcísio de Freitas (SP) e Cleitinho Azevedo (MG). No plano de rua, a tática se apoiou em carreatas, cavalgadas e motociatas, com destaque para a turnê do "Bloco do 22", conduzida pelo deputado Nikolas Ferreira por dezenas de municípios. Na véspera da votação, a agenda foi encerrada com motociata em Belo Horizonte e uma carreata na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, finalizada nos arredores do condomínio onde o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpria prisão domiciliar.

Foto: cidadeverde.com

 

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