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QG de Flávio Bolsonaro mira ministros do STF indicados pelo pai e aposta em pressão de Trump após derrota

Reunião a portas fechadas no Lago Sul expõe descontentamento com Nunes Marques e Mendonça, divergências internas sobre discurso de fraude e expectativa por manifestação da Casa Branca

26/10/2026 às 16h17
Por: Adaildo Mesquita Fonte: cidadeverde.com
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QG de Flávio Bolsonaro mira ministros do STF indicados pelo pai e aposta em pressão de Trump após derrota

O clima de desânimo tomou conta do quartel-general de Flávio Bolsonaro (PL), em uma residência no Lago Sul, em Brasília, ainda durante a apuração do segundo turno. Quando a contagem das urnas atingiu a marca de 70%, o candidato e seu círculo mais próximo abandonaram o acompanhamento público dos números e se trancaram em uma sala reservada para desenhar as primeiras linhas de reação política ao revés eleitoral.

Nos bastidores do encontro, as cobranças mais duras não se voltaram apenas ao governo federal ou aos adversários tradicionais, mas sim aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) indicados durante a gestão de Jair Bolsonaro.

Fogo amigo contra Nunes Marques e André Mendonça

A atuação dos magistrados no âmbito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi alvo de pesadas queixas por parte de líderes e ex-membros do primeiro escalão bolsonarista:

  • Cobrança pública iminente: Aliados sustentaram que os ataques da base conservadora deveriam ser direcionados a Nunes Marques e André Mendonça imediatamente.

  • Sensação de inação: A leitura predominante na sala foi de omissão frente às decisões tomadas pela maioria da Corte. "Nunes Marques deixou ser atropelado pela décima vez pelo STF!", desabafou um ex-ministro presente na reunião, referindo-se aos episódios da reta final do pleito, em especial a prorrogação do horário de votação.

Divergência sobre denúncia de fraude e riscos para 2027

A estratégia discursiva imediata provocou divisões entre as lideranças reunidas na capital federal:

  • Alerta de Rogério Marinho: A tese de alegar fraude na contagem das urnas encontrou resistência de figuras de peso da bancada, a exemplo do senador Rogério Marinho. O argumento foi o de que acusações desprovidas de provas materiais enfraqueceriam a direita e comprometeriam as negociações para as eleições das Mesas Diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal em fevereiro do próximo ano.

  • Incidente na sala-cofre desmentido: Embora a alegação de retirada de fiscais do PL da sala-cofre tenha sido tratada internamente como uma denúncia grave para justificar contestações, o TSE divulgou nota oficial desmentindo a ocorrência.

Olhos voltados para Washington

Diante do isolamento institucional doméstico, o grupo passou a articular uma ofensiva externa, depositando esperanças em uma manifestação do governo de Donald Trump:

  • Tese de não reconhecimento: A expectativa relatada por interlocutores é de que Washington possa não reconhecer o resultado das eleições brasileiras, embora nenhuma sinalização formal tenha sido emitida por integrantes da Casa Branca. A possibilidade de os Estados Unidos optarem pelo silêncio também permanece no radar.

  • Argumentos para o exterior: O plano da ala bolsonarista inclui municiar interlocutores nos EUA com críticas à decisão monocrática do ministro Cristiano Zanin — destacando seu passado como advogado pessoal de Lula — para sustentar a narrativa de desequilíbrio jurídico no processo.

Liderança preservada versus cerco judicial

Apesar do revés, a decisão de Flávio de vir a público e não reconhecer formalmente a vitória de Lula foi bem avaliada pelo núcleo duro, sendo vista como uma evolução em relação ao comportamento adotado por Jair Bolsonaro em 2022, quando o ex-presidente permaneceu em silêncio e viajou para os Estados Unidos.

Para deputados e senadores da base, a postura de enfrentamento permitiu a Flávio reter o capital político e a liderança sobre o eleitorado conservador. Por outro lado, parlamentares admitem reservadamente que o resultado das urnas esvazia as chances de avançar com pedidos de impeachment contra ministros do STF e aumenta a vulnerabilidade jurídica do grupo, que já antecipa um ambiente de forte pressão e investigações sobre políticos da oposição, com o próprio senador no centro do foco.

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