
O funcionamento do transporte coletivo durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 tornou-se alvo de apuração formal da Polícia Federal (PF) em cinco unidades da federação. O Piauí integra a lista de estados sob suspeita de que a diminuição na oferta de ônibus no domingo (25) tenha prejudicado ou impedido o deslocamento de eleitores até suas seções de votação.
Além do território piauiense, procedimentos semelhantes foram abertos em São Paulo, na Bahia e em Alagoas. O quadro mais avançado encontra-se em Sergipe, onde a corporação já instaurou um inquérito policial para apurar responsabilidades.
Na capital do Piauí, o cenário de circulação escassa provocou uma pronta reação jurídica da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV). Os partidos acionaram o Judiciário denunciando que apenas 78 ônibus haviam sido escalados para cobrir 73 linhas, perfazendo um total de 469 viagens ao longo de todo o domingo.
Segundo a representação, a restrição violou as normas eleitorais vigentes — as quais determinam a operação do transporte público em patamares equivalentes aos de dias úteis — e colocou em risco o acesso da população às urnas.
Acatando o pedido, o desembargador José Wilson Araújo determinou que a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) colocasse imediatamente 100% da frota de Teresina em atividade nas ruas. O caso também foi remetido ao Ministério Público Eleitoral para avaliação de possíveis ilícitos.

O foco central da Polícia Federal é esclarecer se houve manobra intencional ou falha logística que tenha ferido o direito ao voto. A interferência no trânsito de eleitores encontra tipificação direta no artigo 297 do Código Eleitoral, que prevê pena de detenção de até seis meses, além de multa, para quem criar embaraços ao exercício do sufrágio.
"São fatos que ainda estão em apuração. A Polícia Federal tem trabalhado junto aos tribunais regionais eleitorais, ao Ministério Público Eleitoral, assim como às demais polícias", destacou o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da PF, Dennis Cali.
Conforme o diretor, agentes realizam diligências em campo, realizam oitivas com testemunhas e analisam relatórios de tráfego nos locais onde ocorreram as restrições.
O impacto da lentidão e da falta de coletivos repercutiu diretamente na dinâmica do pleito em âmbito nacional. Diante dos problemas de mobilidade constatados nos estados, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou um pedido urgente de extensão do horário de votação.
A solicitação foi deferida pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), com respaldo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), autorizando mais duas horas de votação, até as 19h.
A determinação, contudo, foi expedida no final da tarde de domingo, minutos antes das 17h, gerando desencontros na execução prática. Em Teresina, cidadãos que se dirigiram aos colégios eleitorais após as 17h se depararam com portões trancados e urnas já encerradas pelos mesários, contrariando a ordem judicial e expondo novas queixas de eleitores que pretendiam registrar o voto.
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