
Três parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) protocolaram, nesta terça-feira (27), uma petição junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a decretação da prisão preventiva do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A representação, endereçada ao ministro Alexandre de Moraes, requer ainda que, caso a custódia seja determinada, o nome do parlamentar seja incluído imediatamente na lista de difusão vermelha da Interpol.
A iniciativa foi apresentada pelos deputados federais Lindbergh Farias (PT-RJ) e Rogério Correia (PT-MG), além da deputada eleita Ana Elisa Santos (PT-MG). No documento encaminhado ao Supremo, o grupo sustenta que a ordem judicial que determinava a entrega dos passaportes foi deliberadamente ignorada pelo congressista, configurando descumprimento de medida cautelar e risco concreto de evasão do território nacional.
“A não entrega dos documentos no prazo, constatada pela Polícia Federal, configura descumprimento voluntário de obrigação cautelar. Somada à incerteza sobre seu paradeiro e ao fato de que nem a própria defesa conseguiu localizá-lo para cumprir a ordem, evidencia a insuficiência das medidas diversas da prisão para resguardar a aplicação da lei penal”, argumentam os deputados no pedido.
Além da prisão e do alerta internacional, os petistas solicitaram que Moraes determine à defesa que informe oficialmente o paradeiro do senador, requeira manifestação urgente da Procuradoria-Geral da República (PGR) e instaure cooperação judiciária com a Argentina para identificar eventuais facilitadores que tenham prestado apoio logístico à saída em aeronave privada.
A perda do prazo judicial para a entrega dos documentos de viagem coincidiu com informações obtidas nos bastidores políticos. Conforme apuração divulgada pelo jornalista Túlio Amâncio, do SBT News, dois interlocutores próximos confirmaram que o parlamentar já está a caminho dos Estados Unidos com familiares após deixar o Brasil por território argentino.
A estratégia teria sido articulada em sigilo absoluto na esteira da apuração eleitoral de domingo (25), quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a corrida presidencial. Interlocutores relataram que o plano de escape foi restrito a apenas dois aliados políticos. Em conversas reservadas, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro declarou-se vítima de perseguição política.
A confirmação pública da saída veio também do vice-líder da oposição na Câmara, deputado Maurício Marcon (PL-RS), que divulgou em suas redes sociais um vídeo afirmando que Flávio deixou o país "rumo ao exílio".
A rota indicada por correligionários, no entanto, é formalmente contestada pelo governo do país vizinho. O porta-voz da Presidência da Argentina, Fabián Fernández, declarou à agência Bloomberg nesta terça-feira que não há registro de entrada de Flávio Bolsonaro em território argentino. Fernández também rechaçou a decolagem de qualquer voo rumo aos EUA com as características reportadas.
Antes do posicionamento oficial da Casa Rosada, veículos argentinos como o portal Infobae noticiaram que o senador teria utilizado sua cédula de identidade para cruzar a fronteira terrestre e, em seguida, embarcado no Aeroporto de Puerto Iguazú em um jato Gulfstream G400 (prefixo LV-JQW), pertencente à empresa de táxi aéreo Baires Fly S.A., com voo supostamente programado para as 2h da madrugada.
Aliados do congressista, contudo, sustentam que a decolagem com destino à América do Norte teria partido de uma pista alternativa dentro do território argentino, e não de Puerto Iguazú. O caso segue sob apuração formal da Polícia Federal.
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