
O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, estaria ciente e acompanhando o deslocamento de Flávio Bolsonaro (PL) em direção a solo norte-americano, conforme relataram aliados próximos à família Bolsonaro com interlocução direta no país. A expectativa transmitida por interlocutores é que a aeronave que transporta o parlamentar pouse nas próximas horas nas cidades de Miami ou Dallas.
As informações de bastidores apontam ainda para um nível mais aprofundado de articulação externa: segundo um aliado do clã político, autoridades do governo norte-americano teriam participado diretamente do planejamento estratégico montado para viabilizar a saída de Flávio do território brasileiro.
O desfecho da viagem consolidou-se apenas dois dias após a confirmação da derrota eleitoral de Flávio na corrida à Presidência da República contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão de deixar o país foi precipitada nesta segunda-feira (26), quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o confisco imediato dos passaportes do senador — tanto o documento brasileiro quanto o passaporte italiano, emitido em razão de sua dupla cidadania.
No início desta terça-feira (27), a possibilidade de uma evasão internacional chegou a ser tratada com desdém e ceticismo por integrantes de seu próprio entorno, com declarações irônicas sugerindo que a saída "só ocorreria se ele estivesse louco" ou "em foguete de Elon Musk". Com o passar das horas, contudo, a própria base aliada confirmou que o congressista já se encontrava em pleno voo rumo aos Estados Unidos.
Após o descumprimento formal do prazo estipulado por Alexandre de Moraes para o recolhimento das cadernetas, a Polícia Federal realizou o cancelamento formal do passaporte brasileiro de Flávio Bolsonaro. Apesar de a PF ter acionado um alerta de vigilância reforçada nas fronteiras terrestres e aéreas, a medida pode ter ocorrido tardiamente frente à rápida movimentação do senador, cuja documentação de cidadania italiana permanece regular e ativa.
No plano judiciário, a permanência no exterior ocorre às vésperas de uma mudança em seu status processual. Flávio figura como alvo em duas ações penais em tramitação, sob acusações de lavagem de dinheiro e outras irregularidades investigadas no âmbito do caso envolvendo o Banco Master e desvios de recursos no INSS. A partir de fevereiro, com o encerramento do seu mandato legislativo pelo Estado do Rio de Janeiro, o parlamentar perderá o foro por prerrogativa de função, transferindo a análise de seus processos para a primeira instância da Justiça comum.
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