
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), declarou publicamente que não existem evidências de fraude no pleito que consagrou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A manifestação ocorreu ao ser questionado pela imprensa a respeito da carta aberta em que o parlamentar derrotado põe em dúvida o resultado das urnas e anuncia a intenção de articular a oposição diretamente do exterior.
Indagado de forma direta sobre supostas irregularidades na apuração do segundo turno, Marinho reconheceu a falta de elementos comprobatórios para sustentar teses de fraude. No entanto, o líder da oposição no Senado argumentou que o país enfrenta um quadro de "anormalidade democrática" e saiu em defesa da decisão de Flávio de se ausentar do território nacional.
Segundo Marinho, a representação da Polícia Federal (PF) pela apreensão do passaporte de Flávio Bolsonaro logo após o desfecho eleitoral configuraria uma suposta perseguição no âmbito judicial, o que, em sua avaliação, traria risco iminente de detenção:
"Flávio só tem esse caminho. A ele não restou outra opção para manter a sua integridade física, sua liberdade e sua capacidade de poder falar o que precisa ser falado se não saísse exilado do país. [...] Politicamente ele não tem condições de continuar no Brasil, sob pena de ser preso pelo simples fato de ter ousado ser candidato", pontuou o senador.
Flávio desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, acompanhado da esposa e das duas filhas, após cumprir um trajeto aéreo com escalas pela Argentina e pelo Equador. As circunstâncias do deslocamento para o exterior estão sob apuração da Polícia Federal.
Durante a conversa com jornalistas, Marinho também procurou atenuar a repercussão da carta divulgada pelo correligionário, na qual o senador se intitula "líder do Brasil".
O texto chegou a passar por ajustes após a circulação de uma versão preliminar onde Flávio se denominava o "verdadeiro presidente eleito". Marinho frisou que a redação válida é a versão final e justificou o teor do comunicado pelo momento de tensão pessoal enfrentado pelo político:
"O Flávio está nos Estados Unidos exilado, levou toda a sua família. Vocês devem imaginar o que é a ruptura da relação das suas filhas e sua esposa, e certamente ele está fazendo um desabafo em função dos resultados que foram colocados no segundo turno, que foram inesperados para todos nós [...]. Então claramente ele está sob o impacto dessa situação."
O coordenador da campanha revelou ter mantido um contato rápido com Flávio por intermédio de um advogado, mas ressaltou que a conversa não abordou o conteúdo da carta, as rotas de viagem ou prazos para eventual retorno ao país. Segundo Marinho, novos diálogos institucionais devem ser retomados nos próximos dias.
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